
Um quer avançar. O outro hesita.
Um busca proximidade. O outro precisa de espaço.
Um fala em futuro. O outro ainda está tentando sustentar o presente.
E, aos poucos, algo se instala:
Não se trata, necessariamente, de falta de sentimento.
Muitas vezes, há vínculo — mas ele não encontra o mesmo lugar para ambos.
Em alguns casos, surge a tentativa de ajustar o outro:
pedir mais presença, mais definição, mais envolvimento.
Em outros, aparece o movimento oposto: recuar, evitar conflito, deixar como está.
Mas nem sempre a questão se resolve nesse eixo.
Porque o que está em jogo pode ser menos sobre o outro — e mais sobre o lugar que cada um ocupa na relação, o que espera dela, e o que consegue (ou não) sustentar.
A psicanálise não busca equilibrar o casal como se houvesse uma medida ideal entre os dois.
O que ela propõe é um espaço onde essas diferenças possam ser escutadas sem a pressa de corrigi-las.
Porque, em alguns momentos, a pergunta não é “como fazer dar certo?” —
mas o que, de fato, está acontecendo entre vocês?
E essa não é uma resposta que se antecipa.
Se esse tipo de desencontro se repete, talvez não seja apenas uma fase — mas algo que merece ser levado a sério.
Atenção: Se você estiver em crise, com ideação ou planejamento suicida, ligue para o Centro de Valorização da Vida - CVV (188). Em caso de emergência, procure o hospital mais próximo. Havendo risco de morte, ligue imediatamente para o SAMU (192), ou para o Corpo de Bombeiros (193).
Pablo Araya Santander - . Todos os direitos reservados.
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